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Boas práticas na abordagem do doente com EB

 

Todos os tipos de EB são caracterizados por uma fragilidade cutânea. O ambiente hospitalar apresenta riscos acrescidos para todos os doentes com EB, pois simples procedimentos de rotina, como a colocação de adesivos para fixar um cateter ou a remoção de elétrodos de ECG, podem resultar num agravamento da sua condição. Mesmo que o doente apresente grandes extensões de pele integra, a fragilidade cutânea está presente.

Se não está familiarizado com a EB, é importante ouvir o doente e/ou cuidador pela sua experiência em lidar com esta patologia. As suas sugestões sobre quais os procedimentos, pensos e técnicas de aplicação mais adequados são normalmente úteis e resultam em menos danos na pele.

 

Procedimentos básicos

 

Bolhas: O aparecimento de bolhas é comum a todos os tipos de EB. Podem estar localizadas em qualquer zona da pele, incluindo as membranas mucosas. Ao contrário de outras condições dermatológicas, as bolhas intactas devem ser drenadas, usando uma agulha hipodérmica estéril e perfurando lateralmente em várias localizações, para limitar o dano nos tecidos circundantes.

 

Limpeza de pele: A limpeza das feridas deve ser feita com soluções suaves e de baixa toxicidade. Recomenda-se limpeza com soro fisiológico, água ou solução de clorexidina a 0,2%. As lesões devem ser limpas gentilmente, nunca esfregando.

 

Feridas: O tratamento de lesões tem por base um penso atraumático (não-aderente) que promova a cicatrização e evite dor e sangramento na remoção. A escolha do penso deve ser individualizada tendo por base o subtipo de EB, a extensão e localização da ferida, a frequência da muda de pensos, o custo e disponibilidade. A fixação dos pensos deve ser feita com malhas tubulares suaves e elásticas ou com ligaduras coesivas, evitando a colocação de adesivos.

 

Se um adesivo estiver colado à pele, use um removedor de adesivos (exemplo: REMOVER da Smith and Nephew). Se não tiver um removedor de adesivos, impregne o adesivo com soro fisiológico e vaselina até ser possível a sua remoção sem danificar a pele.

 

Se estiver a usar luvas, lubrifique-as com vaselina antes de tocar na pele do doente com EB. Qualquer equipamento ou material clínico deve ser lubrificado com vaselina antes de estar em contacto com a pele ou mucosas orais do doente.

 

 NUNCA USE: Pensos rápidos, adesivos, álcool ou soluções citotóxicas (ex: iodopovidona).

 

Procedimentos específicos

 

Deslocação/levante: Nunca levantar o doente pelas axilas ou deslizar o doente nas transferências. O doente deve ser levantado fazendo pressão distribuída. Se for uma criança, o ideal é a colocação da palma de uma mão na zona das nádegas e a outra palma na nuca.

 

Acessos venosos. Evitar a colocação do garrote ou coloca-lo sobre ligaduras; Em alternativa ao garrote fazer pressão controlada com as mãos (sobre as ligaduras). Evitar fricção excessiva na preparação do local do acesso e não usar soluções à base de álcool.

 

Fixação de cânulas ou outros dispositivos. Fixar com adesivo de silicone e reforçar envolvendo com ligadura coesiva. Remover o adesivo com extremo cuidado, se necessário, usando um removedor de adesivos.

 

Monitorização da pressão sanguínea (não-invasiva). Colocação de ligaduras e/ou compressas sob a braçadeira. No caso de feridas abertas na zona de monitorização, cobri-las com pensos não aderentes antes da colocação das ligaduras.

 

Monitorização com ECG. Colocação dos elétrodos sobre placas de gel (sem adesivo) ou sobre uma camada de contacto em silicone, fazendo aberturas para o contacto do elétrodo com a pele.  

 

Aspiração. Evitar aspiração, exceto se for um procedimento imprescindível. Lubrificar a cânula de aspiração.

 

Entubação. Usar um tubo endotraqueal de calibre adequado (possivelmente um número abaixo) e bem lubrificado. Fixar o tubo com fita de nastro ou adesivo de silicone.

 

Aplicação de máscara facial. Colocar camada de contacto em silicone ou espuma como proteção da pele da face e queixo; se não disponível, usar gaze gorda.

 

Proteção dos olhos e pálpebras. Aplicar gotas oftálmicas/ lubrificantes. Não colocar adesivos. Proteger os olhos com compressas húmidas sobre as pálpebras, evitando que o olho seque e ocorram abrasões da córnea.

 

 

 

    Guia Prático

 

Consulte estas e outras informações no Guia Prático

Guia prático completo da abordagem ao doente com EB